quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Administração Básica - parte 6

Teoria da Burocracia

A segunda abordagem relacionada com a estrutura organizacional nasceu com Max Weber (1864-1920), sociólogo alemão considerado fundador da Teoria da Burocracia. Para Weber, o termo burocracia não temo significado perjorativo de uso popular, mas um significado técnico que identifica certas características da organização formal voltada exclusivamente para racionalidade e para eficiência.

O tipo ideal de burocracia, segundo Weber

1 - Formalização - todas as atividades da organização são definidas por escrito ( rotinas e procedimentos) e a organização opera de acordo com um conjunto de leis e regras que são aplicáveis a todos os casos individuais, sem exceção.

2 - Divisão do Trabalho - cada participante tem um cargo ou posição definidos com esfera específica de competência, com deveres oficiais, atribuições estritamente especificadas e delimitadas.

3- Princípio da hierarquia - a burocracia se assenta em uma hierarquia bem definida de autoridade. Cada funcionário é submetido a ordens impessoais que guiam suas ações de modo a assegurar sua obediência. Cada função mais baixa está  sob controle e supervisão da mais alta, assegurando unidade de controle. Cada funcionário tem apenas um único chefe. Daí o formato de estrutura piramidal da burocracia.

4 - Impessoalidade - o funcionário ideal desempenha de maneira impessoal no relacionamento com outros ocupantes de cargos. A burocracia os cargos, não as pessoas que os ocupam, pois as pessoas entram e saem da organização, mas os cargos permanecem para garantir sua continuidade e perpetuação.

5 - Competência Técnica - a seleção e a escolha dos participantes é baseado na competência técnica e qualificação profissional dos candidatos e não em preferências de ordem pessoal. Daí a utilização de testes em concursos para preenchimento de cargos e para promoções. A burocracia privilegia de modo eminente o mérito. O sistema também prevê carreiras e as promoções, que são feitas de acordo com a antiguidade ou mérito funcional, dependendo sempre o julgamento do superior.

6 - Separação entre propriedade e administração: os recursos utilizados pela organização burocrática para a execução de suas tarefas não são de propriedade dos burocratas. A administração está separada  da propriedade, dos meios de produção, pois o dirigente ou o burocrata não é necessariamente o dono da organização ou dos meios de produção, mas um profissional especializado na sua administração. Daí o gradativo afastamento do capitalista da gestão do seu próprio negócio e a pulverização do capital através da sociedades anônimas.

7 - Profissionalização dos funcionários - os funcionários da burocracia são profissionais, pois são especialistas em face da divisão do trabalho, são assalariados de acordo com as suas funções ou posição hierárquica, seus cargos constituem  a sua principal atividade dentro da organização, são nomeados pelo superior imediato, seus mandatos são por tempo indeterminado, seguem carreira dentro da organização e não possuem a propriedade dos meios de produção da organização.

Todas estas dimensões estão fortemente presentes no modelo burocrático ideal estudado por Weber. Dentro de um ponto de vista estritamente técnico, a burocracia atinge o mais elevado grau de eficiência no alcance do objetivos organizacionais. Em outros termos, a burocracia significa o tipo de organização humana onde a racionalidade atinge o seu mais elevado grau. Esta que significa a adequação dos meios para alcance de determinados fins ou objetivos. A burocracia constitui um exemplo típico do modelo de organização dotado de racionalidade capaz de ser  aplicável a todos os tipos de organizações e empresas, independentemente de sua natureza, operações ou tamanho.

A burocracia, através das sete dimensões, visa a atingir certas consequências desejadas, dentre elas a previsibilidade do comportamento das pessoas dentro da organização. Contudo, o comportamento das pessoas nem sempre ocorre dentro da previsibilidade de Weber. Notou-se a ocorrência de consequências imprevistas ( ou indesejadas) e que levam à ineficiência e às imperfeições. A essas consequências imprevistas se deu o nome de disfunções da burocracia para designar as anomalias de funcionamento responsáveis pelo sentido pejorativo que o termo burocracia adquiriu junto aos leigos no assunto.

As principais disfunções da burocracia são as seguintes:

1 - Despersonalização do relacionamento entre os participantes pelo fato dos ocupantes de cargos se tratarem como tal e não como pessoas.

2 - Internalização das diretrizes - isto é, as normas e procedimentos inicialmente elaborados para melhor atingir os objetivos e passam a ser absolutos. O funcionário passa a se preocupar mais com as regras e regulamentos da organização do que com o seu trabalho dentro dela.

3 - Uso da categorização como técnica de processo decisório, ou seja, a tomada de decisão passa a ser prerrogativa do funcionário que tem a categoria hierárquica mais elevada, independentemente do seu conhecimento sobre o assunto que está sendo decidido.

4 - Excesso de formalismo e papelada

5 - Exibição de sinais de autoridade

6 - Superconformidade em relação às regras e regulamentos da organização

7 - Propensão dos participantes a se defenderem de pressões externas

8 - Resistências a mudanças

Burocracia não leva em conta a variabilidade do ser humano

Burocracia - exigência de controle
Consequências Previstas (Previsibilidade do Comportamento) - Maior Eficiência
Consequências Imprevistas (Disfunções da Burocracia) - Ineficiência

Apreciação crítica acerca da Teoria das Relações Humanas

Excesso de formalismo da burocracia
Mecanicismo da burocracia e as limitações da "teoria da máquina"
Conservantismo da burocracia
Abordagem descritiva e explicativa
Críticas multivariadas à burocracia
Posição da teoria da burocracia na teoria das organizações

Escola das Relações Humanas

A primeira colocação da abordagem humanística - a Escola das Relações Humanas - teve em Elton Mayo (1880-1949) e Kurt Lewin (1890-1947) seus principais precursores. Trata-se da abordagem mais democrática e liberalizante ocorrida na Teoria Administrativa e teve muitos seguidores. Surgiu como teoria de oposição e combate a Teoria Clássica, alicerçada sobre as obras de Taylor e Fayol, cuja hegemonia cobria soberana as três primeiras décadas deste século.

Disposto a democratizar e humanizar a administração das empresas e fortalecer e reforçar seus pontos de vista, a Escola de Relações Humanas negou ou omitiu todos os conceitos desenvolvidos e afirmados pela Teoria Clássica, como os de organização formal, autoridade e responsabilidade, hierarquia, unidade de comando, estudos de tempo e movimentos, eficiência, departamentalização, princípios gerais de administração, ... para substitui-los por outros conceitos desenvolvidos a partir da Psicologia e Sociologia Industrial, tais como organização informal, motivação e necessidades humanas básicas, dinâmica de grupo, comunicação, liderança, ...

A administração típica da Teoria Clássica, eminentemente técnica e voltada para os aspectos lógicos dessa nova abordagem - eminentemente humanista e voltados para o aspectos psicológicos e sociológicos da organização. Os planos de incentivo salarial, baseados apenas na motivação por salário foram substituídos pelo incentivo social e simbólico, fundamentado na concepção do homem social. Segundo essa concepção, o homem é motivado basicamente por recompensas sociais e simbólicas, pois as necessidades psicológicas do ser humano são mais importantes de ganhar mais dinheiro. Hawthorne (1927 - 1932).

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